Planejamento Familiar

Planejamento Familiar

Tema: Planejamento e Reprodução Humana

Marcus Bessa

 

Repórter: Existe mesmo esse planejamento de uma família. Casou já pensa engravidar? O ideal é procurar um especialista antes de engravidar? O correto seria esse?

Dr.Marcus: Bom dia pra vocês, para o público. Eu acho que quando você trabalha em medicina com prevenção é sempre mais fácil do que com tratamento. Então a ideia da avaliação pré-concepcional, por exemplo que algumas pessoas chamam de pré-nupcial, quando você vai estabelecer uma relacionamento a dois aonde a perspectiva futura de uma gestação, é sempre interessante você fazer uma investigação básica de exames onde você possa ver dentro da história clínica do paciente, história menstrual, se esta paciente já teve abortamentos anteriores ou não.

Repórter: Para familiar vale também?

Dr.Marcus: Exatamente, onde você possa ter ai, sinais ou indícios de que posar haver alguma dificuldade reprodutiva futura. Isso é um aspecto bem preventivo, bem profilático. Quando você se depara com alguma dificuldade, aí você entra em outro momento, onde você vai fazer uma investigação de um casal com dificuldade para engravidar. Nós estávamos falando ai de uma situação de dificuldade que já se apresentou. No primeiro momento você tem uma condição de união do casal em que você quer ver se está tudo bem. No outro momento você já estar tentando engravidar e esta gravidez não chega. Então você vai faz uma investigação mais aprofundada, mais especifica de fertilidade.

Reporte: Dr.Marcus Bessa, eu tenho uma curiosidade muito grande sobre relacionamento, por exemplo casal, a Natalia que tá noiva. Não seria interessante os dois fazerem um exame de sangue pra saber se a alguma incompatibilidade deles? Isso já existe lá na Europa? Em alguns países?

Dr.Marcus: Já, no Brasil também. A questão da compatibilidade, primeiro é preciso que a gente entenda o seguinte, seres humanos normalmente não são compatíveis. Quando um embrião vai se implantar no útero da mãe, 50% do material genético ele reconhece como próprio, os outros 50% é de um estranho. No corpo da mãe, o bebê que chegar lá, 50% é materno, 50% é paterno. Então já não é totalmente compatível. A natureza faz de uma forma no sistema imunológico que o sistema de defesa aceita aquela parte estranha, é como um enxerto, um implante, vem uma parte estranha, um transplante, por exemplo. Só que em algumas situações o corpo da mulher rejeita mais do que o normal, neste caso você pode usar algumas terapêuticas no intuito de tentar diminuir a rejeição. Então a natureza faz o trabalho.

Repórter: Mas é desnecessária?

Dr.Marcus: Não se faz de rotina. Normalmente essa investigação de compatibilidade faz-se quando há abortamentos repetitivos. Significa provavelmente que o sistema imunológico da mãe está rejeitando mais que o normal, em outras causas de abortamentos repetidos, casos hormonais, casos endócrinos. Mas nas situações imunológicas, tentamos bloquear essa rejeição.

Repórter: Doutor e a questão, muitas mulheres hoje estão no mercado de trabalho, muitas delas as vezes são muito independente e as vezes tem um medo de engravidar cedo e atrapalhar um pouco a carreira profissional. Então pra essa mulheres que estão em casa e tem essa dúvida até quando é possível adiar de formar segura a maternidade?

Dr.Marcus: Essa é uma pergunta bem complexa, porque se nós formos tomar só a biologia como base, esquecendo a parte social ou seja as mulheres estudam mais, vão pro mercado de trabalho. Antigamente, no começo do século passado, no Brasil você tinha um pico de gestação por volta dos 19 anos, muitas vezes nossas bisavós e nossas avós quando chegavam aos 25 anos já tinham 6, 7 filhos, aos 30 anos tinham uma prole muito grande.

Repórter: Lá em casa tem um exemplo disso, minha mãe teve 11, um atrás do outro.

Dr.Marcus: Então, isso é típico daquele momento da sociedade. Hoje na sociedade você tem famílias geralmente com um, dois filhos, um número muito menor de filhos e a gestação tardia. A biologia não está preocupada com isso, a biologia sabe que você tem que ter filhos precocemente. Então o que ocorre, a partir dos 25 anos o números de óvulos começa a cair, então para vocês terem uma ideia…
Repórter: A produção de óvulos da mulher?

Dr.Marcus: A reserva de óvulos, a mulher nasce com um número de óvulos. É diferente do homem. O homem de 70 anos, qual a idade dos espermatozoides deles? 120 dias, 3 meses de idade. Uma mulher de 30 anos, os óvulos tem idade de 30 anos mais 9 meses, porque o ovário não produz óvulos, ele armazenas óvulos, a grande diferença é essa. Então uma mulher aos 25 anos começa a gastar a reserva de óvulos de forma mais acentuada. Para você ter ideia dos 30 aos 34 anos a mulher tem 50% da reserva de óvulo residual, ou seja, para natureza ideal é ter filhos é aos 20, 25 anos, pra vida social, cultural, atual 35, 40 anos. Então você começa a ter um descompasso entre o que é biologicamente ideal e o que é socialmente ideal. E como conciliar? Você tem vários artifícios, por exemplo, se uma mulher tem um projeto de ser mãe aos 40 anos e não quer ter antes, ela tem a possibilidade de estimular os ovários e guardar óvulos, ou guardar embriões, se uma mulher, por exemplo, diagnostica aos 30 anos de idade endometriose grave, que é uma doença que diminui a reserva de óvulos, e então não tem um parceiro, não tem o pai da criança, não decidiu ainda a sua maternidade, é solteira, não tem um relação estável. Então essa mulher aos 30 anos de idade, ela poderia recorrer a opção de congelar os seus óvulos, para quando aos 40 ela tentar engravidar, se houver algum obstáculo, ela pode recorrer aqueles óvulos que outrora ela guardou.

Repórter: Agora em fertilização doutor, eu quero três filhos de uma vez só, na fertilização posso sugerir isso ao médico?

Dr.Marcus: Você pode, agora é preciso que a gente entenda que essa história de a fertilização lhe dar 2 filhos, 4 filhos, é mais um acidente de percurso do que um objetivo. Porque que se tem mais filhos múltiplos em fertilização do que ao natural? Porque como a taxa de gestação não é elevada, gira em torno de 35, 40% na fertilização in vitro, com intuito de aperfeiçoar essas taxas, se coloca um número maior de embriões, então quando você colocar assim 2 embriões, 3 embriões, na verdade o que você desejar é apenas 1. É colocado excedente para ver se pelo menos um fica, o que ocorre eventualmente é que ficam 3, 4. É uma tendência mundial, inclusive no Brasil, de redução de embriões à colocar, então hoje, mulher abaixo de 35 anos a gente coloca apenas 2 embriões, entre 36 a 40 anos a gente põe até 3 embriões e depois de 40 anos, o que Conselho Federal de Medicina(CMF) permite é a colocação de um número de 4 embriões, mas a tendência é a chamada transferência do embrião único.

Repórter: Doutor, nós temos telespectador na linha … Qual seria sua dúvida para o Doutor Marcus Bessa?

Telespectadora: Eu tenho hipotireoidismo, já tenho filho, quando engravidei eu vivia mais tempo doente no hospital, eu estou com 29 anos, tenho risco de engravidar e perder o bebê?

Dr. Marcus: As doenças de tireoide têm realmente componentes de alterar aquela questão reprodutiva, as mulheres, principalmente com hipotireoidismo, tem um risco maior de abortamento e de bebês com má formações. Entretanto se você trata o hipotireoidismo e ele está bem compensado, então se o PSH está abaixo de 3, que é um bom nível, em geral você não tem percussões durante a gestação. Quando você tem uma doença descompensada, ou seja, nem sabia que tinha hipotireoidismo e engravidar, ela tem risco muito grande de perder esse bebê. Hipertireoidismo mesma coisa, você compensa a doença, a chance de perda é menor.

Repórter: Então é melhor fazer o tratamento?

Dr.Marcus: Eu acho que ela tem que ir ao endocrinologista dela, ver se o hipo ou o hipertireoidismo estão bem compensados, então alguns meses depois que eles estão compensados ela pode liberar engravidar. Na hora que engravidar dá uma mudança nas doses de medicação são outro problema, as mulheres com hipotireoidismo quando engravidam, elas requerem uma dose maior do hormônio da tireoide, então vai precisar de uma equipe, obstetra que trabalhe com uma gravidez de risco, o endocrinologista que manuseia o hipotireoidismo para que quando essa mulher engravide, possa fazer os ajustes das doses necessárias.

Repórter: Eu vi uma matéria domingo na televisão, hoje você, os médicos. O embrião para fertilização, você pode escolher o que vai ser saudável, que vai ser uma criança bonita, uma criança inteligente?

Dr.Marcus: É, esse processo que você acabou de descrever é uma sigla chamada PGD, é o diagnóstico pré-implantacional do embrião, ou seja, você tem 4, 5 embriões, vai escolher algum deles, 1 ou 2 pra colocar no útero e você quer saber da saúde genética desse embrião, então você captar uma célula de cada embrião, faz um cariótipo, um estudo genético do embrião e o laboratório vai te dizer, dos 5 embriões, 3 tem aneuploidias, mal formação, são inviáveis e eu tenho 2 embriões que são saudáveis. Esses embriões não saudáveis vão ser congelados, não vão servir para transferência embrionária. E aqueles embriões cujo cariótipo estão normais vão ser direcionados para o útero. É uma processo que pode ser feito, é feito em Fortaleza inclusive a alguns anos. Então esse é o PGD, diagnostico pré-implante, não é uma rotina na fertilização in vitro. Porque não? Porque quando você capta uma célula do embrião, você aumento o risco desse embrião não se desenvolver, é um risco possível, ou seja, a um risco agregado quando você invade um embrião. Então a gente seleciona casais muitos específicos, exemplos mulheres acima de 40 anos, casais com histórico de bebês mal formados, casais com falhas repetidas de implantação em fertilizações anteriores. São situações onde o risco formativo é maior, então vale a pena que o embrião corra determinado risco para que você selecione e que ele consiga ser implantado.

Repórter: Temos ligação…

Telespectador: É que eu gostaria de saber em relação ao tratamento, onde eu posso encontrar o tratamento gratuito aqui em Fortaleza, já que eu nunca engravidei, nunca tive filhos e tenho 38 anos.

Dr.Marcus: Bem, uma paciente de 38 anos a reserva de óvulos se encaminha pra redução maior e nunca engravidou, qual é a orientação? Procurar um especialista em reprodução humana. A gente tem clinicas em Fortaleza de reprodução humana. O que ela vai fazer nessa clínica? O primeiro passo, ela vai ser atendida e vai ter uma investigação de fertilidade, ou seja, ela não chega na clínica e já vai fazer uma fertilização. Ela chega na clínica e vai ser submetida a uma bateria de exames, por exemplo histerossalpingografia, um nome bem complexo, é um raio x das trompas, um espermograma pra avaliação da qualidade dos espermatozoides, controle de ovulação, pra saber se ela ovula bem, se não ovula bem, se ovula tardio ou se ovula precoce. Então assim, submetida a essa rotina, a essa pesquisa de infertilidade ela vai ter um diagnóstico e vai se enquadrar num dos tratamentos, vamos pegar um tratamento bem simples, aquela mulher que tem ovários micro policísticos, poderá fazer uma estimulação da ovulação, conseguir ovular e aumentar a chance de gravidez, essa é uma situação básica e simples, uma situação mais complexa uma paciente com endometriose grave com obstrução das trompas, se tem obstrução nas trompas, é uma candidata em geral a fertilização in vitro.

Repórter: Doutor, vai chegar um dia, está bem pertinho, que você vai querer ter uma criança saudável que não possa não ter mais nenhuma doença, verdade?

Doutor: É o caminho, a tendência é de você cada dia mais fazer a avaliação desse bebês, antes da implantação. Há alguns aspectos éticos muitos discutíveis nas seleções, é uma questão bastante polêmica. Você vai trazer pra discussão se você pode ter o ser humano ideal, então isso é uma discussão bastante ampla, dá um programa inteiro.

Repórter: Então a gente convida novamente, pra falar desse assunto, a criança perfeita.

Doutor: É, porque entra os aspectos éticos da reprodução assistida.

Repórter: Muito Obrigada doutor.

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Dr. Marcus Bessa
Dra. Rayanne Pinheiro